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Tudo sobre as pastilhas de Vichy e seus possíveis efeitos indesejados

Você talvez tenha uma lembrança da infância: este pequeno octógono branco com um gosto levemente mentolado, que se come após uma refeição farta. As pastilhas de Vichy estão enraizadas na cultura francesa há mais de um século. Sua reputação de…

Bol en céramique blanche rempli de pastilles de Vichy rondes sur une table en bois rustique

Você pode ter uma lembrança de infância: este pequeno octógono branco com um gosto levemente mentolado, que se come após uma refeição farta. As pastilhas de Vichy estão enraizadas na cultura francesa há mais de um século. Sua reputação de “doce que ajuda a digerir” as coloca a meio caminho entre a confeitaria e o remédio caseiro, e um consumo regular não é trivial para todos.

Bicarbonato de sódio e digestão: um mecanismo de dois gumes

O princípio ativo das pastilhas de Vichy é o bicarbonato de sódio extraído das águas minerais da estação termal. Ao entrar em contato com o ácido clorídrico presente no estômago, ele desencadeia uma reação química simples: o ácido é neutralizado, CO₂ é liberado e a sensação de queimação diminui em poucos minutos.

O alívio é real, mas temporário. E é aí que o problema começa.

Após essa neutralização rápida, o estômago detecta a queda brusca de acidez. Ele reage superproduzindo ácido gástrico, um fenômeno chamado efeito rebote. Em uma pessoa propensa ao refluxo gastroesofágico, esse uso repetido pode manter o ciclo vicioso: alívio, rebote ácido, nova pastilha, novo rebote. Compreender melhor as pastilhas de Vichy e seus efeitos ajuda a evitar essa armadilha comum.

A distensão gástrica causada pelo CO₂ liberado apresenta outro problema. Esse gás dilata o estômago e pode agravar o refluxo ácido em pessoas cujo esfíncter esofágico inferior já está enfraquecido. Para um desconforto digestivo pontual, uma pastilha é útil. Para um refluxo crônico, ela pode piorar a situação.

Mulher lendo um folheto de pastilhas de Vichy no balcão de uma farmácia

Pastilhas de Vichy e ingestão de sódio: um risco subestimado

O bicarbonato de sódio contém, por definição, sódio. Cada pastilha fornece uma quantidade modesta quando consumida isoladamente, mas o consumo acumulado ao longo de um dia pode se tornar significativo. Você já percebeu que raramente se come apenas uma?

Para uma pessoa saudável, essa ingestão adicional passa despercebida. A situação muda radicalmente para os seguintes perfis:

  • Pessoas que sofrem de hipertensão arterial, para quem um excesso de sódio favorece a retenção de água e a elevação da pressão arterial.
  • Pacientes com insuficiência cardíaca ou renal, para quem a sobrecarga de sódio pode causar edemas e agravar a patologia existente.
  • Qualquer pessoa que siga uma dieta hipossódica prescrita por um médico, onde cada fonte oculta de sódio conta.

Os sites de comércio que vendem essas pastilhas raramente mencionam esse ponto. A apresentação permanece a de um doce tradicional, não a de um produto contendo um princípio ativo com contraindicações médicas reais.

Versões sem açúcar e adoçantes: o que o rótulo não diz claramente

As pastilhas de Vichy existem na versão sem açúcar, destinada a pessoas que monitoram sua glicemia ou peso. Essas variantes substituem o açúcar por adoçantes como aspartame ou sucralose.

A substituição não é neutra. Algumas publicações, incluindo Doctissimo, sinalizam uma ligação potencial entre o consumo regular de eritritol (um polióis utilizado em alguns produtos sem açúcar) e um aumento do risco cardiovascular. Os dados mencionam um aumento notável do risco de infarto e AVC entre os consumidores regulares.

Verifique a lista de ingredientes na embalagem antes de supor que uma versão “sem açúcar” é automaticamente mais saudável. O tipo de adoçante utilizado varia de acordo com os lotes e as linhas. Alguns polióis também provocam distúrbios digestivos (inchaço, diarreia) quando consumidos em quantidade, um efeito paradoxal para um produto que deveria ajudar na digestão.

Mão de homem segurando pastilhas de Vichy na palma com um copo d'água ao fundo

Pastilhas de Vichy: qual consumo razoável no dia a dia

Não existe uma dose oficial estabelecida por uma autoridade de saúde para esse doce. As pastilhas de Vichy não são um medicamento no sentido regulatório, mesmo que seu componente principal (o bicarbonato) seja um em outras formas farmacêuticas.

Alguns pontos práticos ajudam a estabelecer um quadro:

  • Limitar a ingestão a algumas pastilhas por dia, de preferência após uma refeição e não em jejum, para reduzir o risco de rebote ácido.
  • Não usar as pastilhas como tratamento para um refluxo crônico. Se as queimaduras voltam várias vezes por semana, uma consulta médica é necessária.
  • Informar o médico sobre o consumo regular de pastilhas de Vichy se você estiver em tratamento para hipertensão ou uma patologia renal, pois a ingestão adicional de sódio pode interferir no tratamento.
  • Espaciar a ingestão de pelo menos duas horas com outros medicamentos, pois o bicarbonato pode modificar a absorção de certos princípios ativos.

Essas precauções podem parecer desproporcionais para um doce vendido em supermercados. Mas não são. O bicarbonato de sódio continua sendo um composto ativo, independentemente da embalagem em que se apresenta.

Crianças e idosos: dois públicos a serem monitorados

Nas crianças, a capacidade renal de eliminar sódio é mais limitada. Algumas pastilhas ocasionais não representam problema, mas um consumo diário merece ser controlado. Em idosos, frequentemente polimedicados e às vezes com insuficiência renal inicial, a cautela é ainda mais justificada.

As pastilhas de Vichy continuam sendo uma confeitaria agradável, ligada a um terroir e a um verdadeiro saber-fazer. Seu perfil não é perigoso para uma pessoa saudável que consome duas ou três após uma refeição. O problema surge quando o consumo se torna mecânico, diário, e envolve um organismo já fragilizado por uma patologia cardiovascular ou renal. O bicarbonato de sódio que elas contêm é um princípio ativo, não um simples aroma.

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